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As Almas – texto sobre ser invisível

Posted on: 9 Abril 2007

Dão-nos vários nomes: fantasmas, espíritos, almas, monstros… Não somos nada disso. Já fomos humanos que já saíram do vosso mundo. Temos uma aparência normal, como de um ser humano. Todos nós somos pacíficos. Só uma coisa nos diferencia dos humanos. Não temos emoções: não nos emocionamos, não somos capazes de amar, não sentimos ódio… Talvez se deva a estarmos mortos, vazios, sem alma. Não fomos para o céu como muitos imaginavam um dia ir. Voltamos à Terra e somos capazes de ver os nossos amigos e família, mas eles não nos conseguem ver a nós. Talvez por isso não tenhamos sentimentos porque nada causa mais dor do que ser ignorado pelos que mais gostamos. Alguns dos invisíveis acreditam que, depois de muito tempo, podemos reencarnar, na pele de uma nova pessoa. Não tenho essa esperança. Sei que um dia vamos desaparecer, mas talvez iremos para o mesmo sítio onde estávamos antes de nascer…
A maioria dos invisíveis são idosos, mas eu não. Quando eu saí do mundo dos vivos ainda era muito nova. O meu pai batia-me. Um dia bateu-me com tanta violência que não consegui resistir… Tinha 7 anos.
Neste momento estou à frente da minha campa, ao lado da minha mãe, que está a chorar desconsoladamente. Quando a via ali não sentia nada: nem pena, nem saudades, nem felicidade… E é isto que faço, procuro a minha família e limito-me a observar. Nada mais posso fazer, nada mais farei…

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