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Atentado de 11 de Setembro – texto do retrato

Posted on: 21 Novembro 2007

11 de Setembro de 2001, Manhattan, Nova Iorque

Terça-feira de manhã, inicio de semana. Nunca mais, nunca mais chegava o tão esperado fim-de-semana. O fim-de-semana onde eles se voltariam a encontrar, onde as angústias e os desacertes daqueles exasperantes meses seriam deixados para trás. Porém esse encontro nunca chegou a acontecer…

8.00h – Yang Cho saiu de casa apressado. Amaldiçoou o seu emprego, por não o deixar fazer o que quer que seja sem que ficasse atrasado e em risco de ficar desempregado. Precisava daquele emprego pois tinha de sustentar a mulher e o fi…… Não! Não tinha ele prometido a si próprio que ia deixá-los fora da sua mente até ao demorado encontro? Pensar neles só serviria para a saudade voltar em força, qual navalha perfurando o seu coração.

8.30h – Era um facto. Quanto mais prometia a si próprio que iria esquecê-los, nem que fosse por um momento, menos sucesso tinha com o prometido. Ligou ao seu filho. Com um misto de alegria e de tristeza na voz, pela grande distância que os separava, falaram durante longos minutos, cheios de emoção. Quando, relutantemente, pousou o auscultador, sentiu-se extremamente abalado. Mas que importava isso? Iriam encontrar-se no Sábado! Depois de 9 longos meses, iriam encontrar-se no Sábado!

08.46.30h – Um grande estrondo. Gritos. Fumo. Desespero. Mal se apercebendo do que estava a acontecer, Yang estava a ser estrangulado por uma cortina de fumo negro e espesso. O que era tudo aquilo? Desejou ardentemente que tudo aquilo não passasse de um pesadelo, de um sonho mau, e que dentro de instantes, Yolanda, sua mulher, o acordasse e envolvesse num abraço apertado… Sabendo que a qualquer momento poderia cair inconsciente no chão, dirigiu-se a uma janela. Olhando em volta percebeu, que o quer que aconteceu, deixou o prédio em chamas e prestes a ruir. Estava num impasse. O que fazer? Deixar-se morrer queimado, sufocar com o fumo, ou deixar o WTC ruir consigo lá dentro? Bem, havia outra hipótese… Na verdade, Yang sempre desejou saber qual era a sensação de voar. Subiu ao parapeito e atirou-se atrapalhadamente, qual passarinho tendo a primeira lição de voo. De repente, tomou mais consciência do seu corpo: do ar a ser sugado dos seus pulmões, do coração a bater mais rapidamente… Até que de súbito o conforto apoderou-se dele, e não havia mais nada a temer…

O retrato está pousado sobre a mesa. Lá fora, o sol toca as árvores do parque. São duas pessoas: a mãe e o filho, a lembrarem aquilo que foi. O tempo passa e leva com ele o passado. As memórias tornam-se difusas, dir-se-ia que só os retratos permitem que se saiba ter existido cada um desses rostos.

Yang Cho foi uma das 3234 vítimas do trágico atentado de 11 de Setembro. Entre elas 265 nos aviões; pelo menos 2602 pessoas, incluindo 242 bombeiros, no World Trade Center e 125 no Pentágono. Todas essas mortes são constantemente lembradas e honradas, e naturalmente nunca serão esquecidas.

5 Respostas to "Atentado de 11 de Setembro – texto do retrato"

Este blogue, parou?
Um bom Natal, Helena!!!

Bem merecido, o prémio.
Parabéns.

gente eu tou fazendo um trabalho usando esse texto e otimo estou orgulhosa

eu fico penssando como ira ser no brasil?!?!?!?!?!

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