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Charles Darwin

Posted on: 26 Janeiro 2008

Já se tinham passado alguns dias desde a partida. Era uma nova sensação. A sensação da aventura. De partir em busca do desconhecido. Tinha embarcado no Beagle, um veleiro da Marinha Inglesa, cujo objectivo principal era cartografar melhor o hemisfério Sul. A viagem duraria 5 anos. A minha missão era fazer companhia ao capitão Robert Fitzroy. Apenas isso. Mas acabei por fazer muito mais.

Partimos de Plymouth em Dezembro de 1831. Tinha eu 22 anos… Passámos pelas Ilhas Canárias, por Cabo Verde, Salvador, Rio de Janeiro, Montevideu, Punta Alta, pelas Ilhas Malvinas, pela Terra do Fogo, pelo Estreito de Magalhães, por Valparaíso. Entretanto já se tinham passado 3 anos. Pude sentir no corpo o calor de África. Pude ver com os meus próprios olhos a biodiversidade brasileira. Pude tocar com as minhas mãos em conchas encontradas em plenas montanhas. E isso, mais do que tudo, foi o que me incentivou a continuar, passando por cima da má educação, da forma errada de se fazer justiça em alguns países e, principalmente da escravidão.

Em Setembro de 1835 chegámos às Ilhas Galápagos. Observando diferentes espécies de tartarugas e de lentilhões percebi a diferenciação das espécies. Foi o primeiro passo para uma nova teoria, a Teoria da Evolução. Continuámos a viagem. Pela Austrália, por ilhas do Pacífico, pelo Cabo da Boa Esperança, novamente pelo Brasil e, finalmente, em Outubro de 1386, chegámos a Falmouth. Fim da viagem.

Em 1838 comecei a escrever um livro, intitulado de “A Origem das Espécies”. Sabia que confessar as minhas ideias seria como confessar um assassinato. Demorei 21 anos para publicar o volume. A minha consciência não estava tranquila, pois era religioso e, quanto mais desenvolvia o meu estudo e a minha teoria, mais ia contra a “verdade” da Bíblia. A “verdade” a que eu fora habituado a ouvir em criança. “Deus criou a Terra e todos os animais que actualmente habitam sobre ela”. Mas eu sabia que não era assim. A minha teoria defendia que todos os seres vivos podem ter traçada a sua linhagem ancestral até ao princípio da vida sobre a Terra.

As minhas ideias rebentaram como uma bomba. Não esperava outra coisa. Foram criadas teorias ridículas para explicar as minhas descobertas. Contudo, penso que hoje em dia é difícil imaginar a Terra plana, a Terra como centro do Universo, ou imaginar que sobre a superfície terrestre sempre tenham existido os mesmos seres vivos, sem modificações…sem evoluções.

Charles Darwin

1 Response to "Charles Darwin"

Este sim, é verdadeiramente o que esperava de ti: um texto ficcional com marcas de quem quer falar algo que mais do que a simples narrativa. Parabéns.

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